Terça-feira, 23 de Março de 2010

Carroças que encontramos no caminho

Mais uma Grande Verdade....

É interessante:

"- Quanto mais vazia a carroça, mais barulho ela faz..."

Carroças que encontramos no caminho

«Uma manhã, meu sábio pai, convidou-me a dar um passeio no bosque e eu aceitei com prazer. Ele deteve-se numa clareira e depois de um pequeno silêncio perguntou-me:
- Além do cantar dos pássaros, ouves mais alguma coisa?
Apurei os ouvidos alguns segundos e respondi:
- Estou a ouvir o barulho de uma carroça.
- Isso mesmo, disse meu pai, é uma carroça vazia!
Perguntei a meu pai:
- Como pode saber se é uma carroça vazia, se ainda não a vimos?
E ele respondeu:
- Ora, é muito fácil saber que uma carroça está vazia por causa do barulho. Quanto mais vazia, mais barulho ela faz.

Tornei-me adulto e até hoje, quando vejo uma pessoa a falar demais, gritando para intimidar, tratando o próximo com grossura de forma inoportuna, prepotente, interrompendo a conversa de todos e querendo demonstrar que é a dona da razão e da verdade absoluta, tenho a impressão de ouvir a voz do meu pai dizendo:

"- Quanto mais vazia a carroça, mais barulho ela faz!...

Terça-feira, 19 de Janeiro de 2010

A Lição da Águia


Por falta de inspiração, não tenho escrito...
Hoje encontrei este texto num blogue e apesar das palavras não serem minhas, subscrevo-as inteiramente. Por isso aqui vai uma lição para a vida.


Quinta-feira, 07 de Janeiro de 2010

Nada Renasce sem que antes tenhamos libertado os pesos acumulados ao longo da vida
Quando, por vezes, fazemos um balanço da nossa vida, podemos perceber que os objectivos a que nos tínhamos proposto não foram totalmente atingidos, ou, até chegarmos à conclusão que as coisas se repetem gradualmente, como se estivéssemos vivendo em círculos, no entanto, é normal, continuarmos sem nos libertarmos completamente “das coisas velhas” e ainda com tudo às costas, voltarmos a fazer promessas de novo começo e novos objectivos para o ano novo em que iremos entrar.
Cada ano que começa trás consigo a esperança e o desejo de “renascimento”, mas para o conseguirmos realmente temos de deixar para trás, tal como esse ano que terminou, tudo o que é velho, abandonar velhas e sufocantes situações, apegos, mágoas, sentimentos de culpa, pesos acumulados ao longo desse ano e até ao longo da nossa vida, ou seja, desapegarmo-nos para podermos renascer, como nos ensina a Lição da Águia.
A águia é das aves a que possui a maior longevidade, chegando a viver cerca de 70 anos, mas para chegar a essa idade mais ao menos por volta dos 40 anos ela está com as unhas tão compridas e flexíveis que não consegue continuar a agarrar as presas com as quais se alimenta. O bico alongado e pontiagudo, curva-se. As asas estão envelhecidas e pesadas devido à grossura das penas. Voar torna-se bastante difícil para ela.
Então a águia só tem duas alternativas, morrer ou enfrentar um doloroso processo de renovação que durará 150 dias.
Este processo consiste em voar para o alto de uma montanha e recolher-se num ninho próximo a um paredão onde terá de ficar até que possa voar de novo. Após encontrar esse lugar a águia começa a bater com o bico na parede até conseguir arrancá-lo, para que seja possível nascer um novo, com o qual arrancará as unhas. Quando as novas unhas começam a nascer começa a arrancar as penas velhas para que nasçam novas. Só após 5 meses ela sai para o famoso voo de renovação e para viver então mais 30 anos.
Na nossa vida, muitas vezes temos de nos resguardar por algum tempo, antes de começarmos o nosso processo de renovação. E para que continuemos um voo de vitória, devemos desprender-nos de lembranças, costumes e outras situações que nos causaram dor. Enfim, desapegar-se. Saber perdoar é o primeiro passo para a renovação interior.

Somente livres do passado poderemos aproveitar o valioso resultado de um renascer.

publicado por templodecura

Segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

Desgaste

Hoje sinto-me desgastada...
Hoje??? Não, há dias que me sinto assim. Parece que carrego sobre mim o peso dos anos ou que trago sobre os meus ombros todos os problemas do mundo. Parece exagerado? Talvez, mas é o que sinto.
Ultimamente, eu não ando, arrasto-me... Vou trabalhar porque tenho que ir, faço o jantar porque tenho que comer, visto-me porque não posso andar despida e etc. etc. etc.
Não tenho vontade de rir, mas também não quero chorar. Não me apetece sair, mas também não quero ficar em casa. Pego num livro para ler e aborreço-me, tento ver uma revista e não acho graça nenhuma aquilo, ligo a televisão e não há nada que me cative...
É isso mesmo, neste momento, não há nada nem ninguém que me cative. Cativar, esse verbo que resume tudo o que é mais importante na vida.
Poderão dizer que é cansaço, mas eu digo que não, não me sinto cansada, sinto-me desgastada. Parece que a cada dia que passa é-me retirada uma camada de energia e eu vou ficando mais fraca, mais frágil e com menos forças.
Eu sou mesmo assim, preciso de perder todas as forças, deixar-me ir abaixo para poder rejuvenescer e ganhar uma nova vitalidade. Mas o processo é demoroso e principalmente doloroso. E há dias que só me apetece desistir, abandonar tudo e começar de novo. E depois penso, ninguém resolve os problemas fugindo deles, mas sim enfrentando-os.
Está certo, tem toda a razão, mas como aguentar de pé depois de ter levado tanta cornada do touro ao tentar fazer a pega de caras?
Claro que ninguém poderá saber a resposta, porque é aqui que reside a essência da vida. Cada um e ninguém por ele tem que enfrentar os seus problemas, as suas dificuldades, dar a cara, ir à luta e principalmente nunca deixar de sonhar e acreditar que o foi hoje, não será amanhã. Mas sonhar e acreditar, não basta, é preciso empenho, vontade e fazer por mudar o que está errado, mesmo quando já faltam as forças. É isso que se chama viver, crescer e provavelmente ganharmos mais sabedoria.
O que é que me adianta andar todos os dias feliz e em festa se não aprendi nada de verdadeiramente importante. Podem achar que sou melancólica, ou eventualmente depressiva, mas na realidade não, eu ando é a aprender, tentar perceber o que é a vida e o que poderei transmitir aos meus filhos, ando a acumular uma herança espiritual para eles.

"Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."

E pelos pedragulhos que tenho encontrado, que tenha a sabedoria e engenho suficiente para construir um grande castelo, que nunca será de areia.

Sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

Cântico negro

Hoje apetece-me partilhar outro poema, então aqui vai:

Cântico negro

"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

José Régio

Terça-feira, 27 de Outubro de 2009

Como quem mói um pensamento

A primeira pergunta que nos surge, é sempre "Porquê?" Porque nos aconteceu a nós, porque aconteceu agora? São tantas dúvidas e perguntas, que até parece que as teclas me fogem dos dedos. Às vezes gostava de fechar os olhos e tipo desenho animado, surgir-me a lâmpada luminosa com a resposta certeira para tudo. Mas a realidade é sempre mais dura e os pensamentos vão e vem, dilacerando o corpo e a mente, parece que a minha cabeça vai estalar de tanto pensar.
Penso no que aconteceu, vou tentando ordenar os acontecimentos cronologicamente, vou tentando perceber quando foi que começou, parece que eu não estava lá, porque nunca percebi como e quando. Quando dei conta já estava a desfazer-se e eu numa luta inglória ainda tentei e esforcei-me para segurar, mas parece que já fui tarde. Poderão me dizer, tinha de acontecer e revolto-me por dentro. Cada dia que passa, só ajuda a aumentar esta angústia. Agora só quero que acabe. Estou cansada, quero pôr um ponto final e seguir em frente. Mas parece que tenho umas correntes de prisoneiro e que cada passo dou em frente, os pesos voltam a puxar-me para trás. Então tenho vontade de gritar: "Onde está o alicate, para cortar isto?" Mas é um grito surdo, ninguém ouve.
Já aceitei os factos, aceitei a verdade por mais dura que fosse, aceitei que não havia mais nada a fazer. Morreu, enterrou-se... e pronto. Consigo ver à luz de hoje, a podridão e a imundice de há tempos atrás e sinto nojo, asco por me ter deixado envolver e pior ainda por tentar salvar o que não tinha salvação. Como foi possível? E pergunto-me, onde é que estava, em Marte?
E o que me vai consumindo é pensar que não passava de uma peça de um jogo e que fui manobrada ao interesse de quem mais lhe convinha, como é que não percebi antes? Já assumi que estou fora de jogo, mas quem joga ainda insiste em ir buscar-me para fazer mais uma jogada estratégica. Por isso não consigo sair deste lamaçal, quero correr, fugir, mas há sempre alguém para agarrar os pés.
Estive durante anos num espectáculo de ilusionismo e nunca percebi. Era tudo tão bonito, colorido, luminoso e funcionava tão bem. Mas agora que vi os bastidores, percebo que era tudo só fachada, ilusão. Sinto-me usada, ultrajada e mais do que tudo enganada. Quero sair, estão a ouvir, quero sair, não preciso de mais jogadas, espectáculos, ilusões, o meu mundo é outro. Ainda não perceberam?

Quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

País de Indignados

Vivemos num país de indignados, facilmente ficamos chocados com declarações ou acções de qualquer pessoa.
Quando li a crónica da Luisa Castel-Branco no Destak acerca da Maitê Proença, também pensei que actriz brasileira se tinha passado da cabeça. Com curiosidade fui ver o vídeo na Net e verifiquei o que era rídiculo, era a só a protagonista. Não me senti ofendida com as declarações, senti foi pena de ver uma figura pública mostrar a sua burrice e ainda por cima com aval das colegas em estúdio. O que era rídiculo eram elas, não as palavras ditas. Porque a nossa História ninguém nos tira. E se a população do outro lado do Atlântico sente dor cotovelo por isso, problema deles. Quero lá saber o que pensam ou dizem. Mas aqui no nosso cantinho toda gente protestou e gerou-se uma grande polémica por uma coisa, que para mim não merecia ter a dimensão que teve.
Agora temos Saramago com a sua declaração acerca da Bíblia. Todos nós sabemos que o escritor é ateu e não acredita nessas coisas da religião. Então, qual é o espanto? É uma declaração de acordo com a sua linha de pensamento. E não vivemos num país livre, onde qualquer um pode manifestar as suas ideias? Parece que não, porque já está outra vez instalada a polémica. Que a Igreja Católica se manifeste é perfeitamente válido, tem direito à contra-resposta. Agora que venham dizer que têm vergonha que Saramago seja nacionalidade portuguesa, acho exagerado. Quando ganhou o Prémio Nobel, toda a gente sentiu orgulho de um cidadão português o ganhar, apesar de muitos nem sequer terem lido um livro dele.
Agora já acham que está senil e não diz coisa com coisa e que devia medir melhor as palavras que diz.
Neste país indignamos com coisa pouca e gera-se polémica, discussões, opiniões e mais sei lá o quê com qualquer coisa. Sinceramente haja paciência para tanta indignação.
Agora estamos a falar de figuras públicas e na nossa vida? Quantas vezes não nos aborrecemos com o colega de trabalho por disse o que não devia ou que não queriamos ouvir. Ou com a vizinha do lado por não ter a atitude mais correcta na entrada do prédio. Ou com um amigo porque não agiu como esperavamos. Para quê tanto aborrecimento? Quando daqui umas semanas a maior parte de nós, já nem se lembra do que aconteceu.
Tal como o rio a vida nunca passa duas vezes pelo mesmo lugar.
Adianta ficarmos indignados?

Domingo, 18 de Outubro de 2009

Porta e Janelas

"Quando uma porta se fecha, há umas janelas que abrem"

Sempre gostei deste ditado, porque quando se perde uma oportunidade, há que acreditar que irão aparecer outras 2 ou 3. O que normalmente se confirma.
Para mim hoje foi um desses dias, quando há uma semana ou 15 dias atrás pensava que o mundo ia se desfazendo à minha volta, hoje descubro que há coisas a acontecer ou por acontecer ainda na minha vida. É como quando pensamos que perdemos aquele objecto importante e com significado para nós e afinal sempre esteve escondido no canto do nosso quarto. Sabe bem.

Hoje, ou melhor ontem, já passa da meia-noite, fui o almoço de ex-colegas do Politécnico de Tomar. Até aqui tudo bem, correu como esperado, voltar a ver caras amigas, reviver histórias antigas. Soube bem e acho que todos nós saímos lá bem dispostos e felizes com dia, apesar de termos contabilizado que tinha passado 19 anos. Incrível, ninguém tinha dado pelo tempo passar. Enfim, um mero pormenor.
Então não é que à noite acontece-me daquelas coincidências estranhas. Verifico que tinha 2 chamadas não atendidas, mas como não conhecia o número, espero por novo contacto. Era um colega do secundário e amigo, que tinha estado com MSN com outra colega e lembrou-se de me ligar e falar que se calhar ia-se fazer um jantar da nossa turma.
Espera aí, então eu estive num almoço de ex-alunos do IPT e agora já me estão a falar de um jantar de turma do secundário? Está tudo a atravessar uma fase saudosista ou andarão a combinar às escondidas e eu não sabia de nada?

Voltando ao ditado do início, aqui há uns dias andava meio perdida por achar que nada de novo acontecia na minha vida e que por ter sido novamente mãe há 7 meses, socialmente as coisas já não corriam tão bem com a minha família, blá, blá, etc. etc.
E agora de repente vejo-me a ficar com a agenda preenchida.
Ufa, ainda bem que abriram as janelas, o vento que entra é mais fresco e cheira a mar (como eu gosto). A porta pode ficar lá, não me vou esquecer dela, mas janelas parecem-me lindamente.